sábado, 14 de junho de 2008

Fernanda Takai - 8ª Feira Nacional do Livro de RP

Já na primeira frase estou lutando para manter o foco, mas logo revido, como manter o foco sem saber nada sobre lentes?

Não se assuste, estou falando sim sobre a apresentação de Fernanda Takai na 8ª feira nacional do livro de Ribeirão Preto, pra quem ainda não sabe ela está em turnê com o seu novo trabalho Onde Brilhem Os Olhos Seus juntamente com a banda composta por John Ulhoa (guitarra), Lulu Camargo (teclado), Thiago Braga (baixo) e Mariá Portugal (bateria), interpretando musicas de Nara Leão. Mas, retomando, não posso simplesmente começar sem antes falar um pouco de Pato Fu e de Bossa Nova, então vamos lá.

A Intérprete

Fernanda Takai, integrante da banda mineira Pato Fu, é conhecida por possuir um timbre de voz muito específico e peculiar, do tipo ame ou odeie, e por isso também responsável por uma das características mais legais da banda a de gostar de experimentar e misturar. O Pato Fu começou como um trio composto por guitarra, baixo e voz, e as músicas eram tocadas em cima de playback programado por John Ulhoa. Hoje, com a adição do baterista Xande Tamietti e do tecladista Lulu Camargo, isso se reflete em uma experiência muito grande em programação musical conferindo muito bom gosto ao adicionar tais elementos (meio exagerado, mas já ouvi a frase: O Pato Fu é o Massive Attack brasileiro).

A Interpretada

Uma das cantoras mais virtuosas do Brasil, ficou conhecida como a eterna musa da Bossa Nova e por possuir bons, muito bons, amigos. Gravou músicas dos até então pouco conhecidos Chico Buarque, Martinho da Vila, Edu Lobo, Paulinho da Viola e Fagner, entre outros.

Considerações Técnicas

Quando falo técnicas, quero dizer sobre a infra-estrutura do palco, do som e coisas afins e não sobre as técnicas dos músicos. Estou dedicando um parágrafo inteiro sobre isso pois vou generalizar para todas as apresentações que pude comparecer e por ser uma área que gosto muito e atuo. Não sei o quanto foi imposto pelo alvará liberado pela prefeitura de Ribeirão Preto, mas em todas as ocasiões o som estava muito baixo e opaco, o volume estava baixo pra quem estava perto e incompreensível pra que estava longe (adiciono que em todos os casos a explanada estava completamente cheia e em alguns caso cheia demais), quanto ao opaco... Deixa pra lá. Vou culpar a falta de passagem de som.

Considerações Artísticas

Agora vou, finalmente, poder usar as informações que passei anteriormente. Com extremo bom gosto e simplicidade, as músicas antes interpretadas pela homenageada (também pelos 50 anos de Bossa Nova) ganharam uma roupa moderna e rebuscada sem perder as suas características originais. Sempre em cima de pré-programações, os arranjos não inibem a liberdade de expressão individual dos músicos que, sempre super-valorizando a voz de Fernada Takai, criaram um clima, acreditem, bossa-moderno-nova que agradou quem gosta da bossa original e ao mesmo tempo a grande quantidade de fans do Pato Fu ali presentes. Ninguém melhor para tentar algo assim do que os envolvidos no projeto.

Considerações Finais

Pra quem ainda não conhecia o Onde Brilhem Os Olhos Seus, ficou com vontade de conhecer. Uma linda apresentação com uma produção visual bem elaborada e um repertório que incluiu todas as músicas do cd e mais outras, como "Ordinary World" de Duran Duran.


Fui!

Breno Vettorassi

Fotos por Guilherme Carvalho
Mais fotos em: http://picasaweb.google.com.br/guilhermec/
http://www.flickr.com/photos/guilhermec/

quinta-feira, 5 de junho de 2008

João Bosco - SESC São Carlos - 22/05

João Bosco em São Carlos. Nosso Trio em São Carlos. Agora junte os dois: mais uma obra prima do SESC – São Carlos. Parabéns! O show foi excepcional, ímpar.

Tocando músicas repletas de um toque característico, acompanhado por Kiko Freitas na bateria, Nelson Faria na guitarra e Ney Conceição no baixo, o mineiro de Ponte Nova reflete suas influências de jazz, bossa nova, samba, tropicalismo entre outros, em um repertório composto por composições de parcerias com Capinam(“Papel Machê”), Abel Silva(“Desenho de Giz”), Aldir Blanc(“Escadas da Penha”, “O Bêbado e o Equilibrista”), fora músicas como “Corsário”, “Jade”, “Linha de Passe”, “Coisa Feita” etc. Só coisa fina, diriam os fãs de Moacir Santos. E vale lembrar, nem precisava, mas João Bosco ainda nos presenteou com Tom Jobim(“Lígia” e “Inútil Paisagem”) e Gilberto Gil(“A Paz”).

O engenheiro João Bosco de Freitas Mucci ganhou seu primeiro violão aos 12 anos e montou seu primeiro conjunto de ROCK'N ROLL, o “X_GARE”. Em 1967 a universidade de Vila Rica das Minas - Outro Preto - ganhou-o como aluno do curso de Engenharia Civil. “Passei pela terra de Aleijadinho e meu coração que até então era vadio, ficou barroco. Subi e desci ladeiras. Descobri que na vida existem mais teoremas. Supor é melhor que demonstrar e na dúvida mora a vontade de continuar.” - João Bosco; o ano de sessenta e sete também foi marcado pelo início da parceria com o “poetinha” - Vinícius de Moraes, e em 1970 é a vez de Aldir Blanc. No ano de 1972, além de receber o diploma de Engenheiro Civil, sai o Disco de Bolso, projeto de O Pasquim – ao lado do compositor Sérgio Ricardo, e conheceu também Elis Regina – NOSSA!! - com quem gravou “Bala com Bala” (Bosco/Blanc).

A genialidade do compositor foge às coisas simplistas de teorias, essas ensinadas em centros de educação musical, universidades, conservatórios. Como vínculo à terra, à natureza particular pontenovense, também cultiva em sua música, e faz questão disso, suas experiências de vida. Experiências que passam por sua história de amores, bares e amigos, momentos íntimos com o violão e, com muita força, a face dos terreiros de Candomblé.

João Bosco, por João, por músico(compositor, intérprete), por intelecto, por caricato, se tornou um ás brasileiro. De acordo com Tom Jobim:”Esse mineirinho é bom demais. Tira ele do meu lado”, logo após lançamento do disquinho, cujo lado A era agraciado com tal opinião do maestro brasileiro e o lado B com “Aguas de Março”.

Zuza Homem de Mello cita, com excelência, “O batuque que levava o ouvinte de roldão, já vinha matando na cabeça, começava e acabava atropelando, num jogo rítmico de deslocamentos...seria a base de outra linha da ação na obra do mineiro de olhar perscutador que arrebentava tocando violão. A destreza lhe permitia chegar aonde queria quando partia para esse tipo de composição, o samba rasgado, do tipo desenhado em Tiroteio, que acabou sendo lavrado com o título de Bala com Bala”.

Um ideal dessa magnitude não enferrujará com o tempo. Suas unhas não só tocaram as cordas cristais de violões mas arranharam a nossa cultura de forma tão profunda que foge aos domínios midiáticos, multiplicando por si só, por beleza, por mérito e admiração de tantos outros grandes brasileiros.


“O amor é meu dia de folga. Meu melhor trabalho é a minha família, minha alegria é Rubro-Negra. Quem sabe de mim é o meu violão. Nesse fim de semana, seu não for pra Belô, a gente se cruza no calçadão.” - João Bosco de Freitas Mucci

João H. DOIS

terça-feira, 3 de junho de 2008

8ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto

Acontece do dia 06 ao dia dia 15 de junho de 2008 a oitava Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto. O evento traz, além de livros com preços melhores dos que os praticados normalmente, muitos eventos culturais, como salões de ideias, cafés filosóficos, cinema e muita música boa.

Acontecerão vários shows durante o dia, sendo geralmente dois shows no Palco da Esplanada, de um artista da região e um de fora. Dentre atrações estão: Luiz Melodia, Milton Nascimento e Jobim Trio, Demônios da Garoa, Fernanda Takai, Gabriel Grossi, Bateria da Escola Vai-Vai, dentre os de fora e os de Ribeirão: Dimi Zumquê, Balacu, Mario Feres e Vânia Lucas, Carlinhos Machado, e outros.

A Programação reduzida dos Eventos Musicais da Esplanada:

06/06 - 20h - Verônica Ferriani, 21h - Luiz Melodia
07/06 - 21h - Milton Nascimento e Jobim Trio
08/06 - 20h - Jorge Nascimento, 21h - Demônios da Garoa
09/06 - 20h - Dimi Zumquê, 21h - Fernanda Takai
10/06 - 20h - Balacu, 21h - Zeca Baleiro
11/06 - 20h - Gabriel Grossi, 21h - Arnaldo Antunes
12/06 - 20h - Rolando Boldrin, 21h - Carlinhos Machado e o Choro Brasileiro
13/06 - 20h - Mario Feres e Vânia Lucas, 21h - Guilherme Arantes
14/06 - 21h - Renato Texeira
15/06 - 19h - Bateria da Escola de Samba Vai-Vai

Confira a programação completa em: www.feiradolivroribeirao.com.br

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Virada Cultural 2008

Ocorre todo ano em Paris a “Nuit Blanche” (Noite Branca). O evento pauta levar cultura de qualidade à população gratuitamente. A idéia é trazer enriquecimento cultural aos cidadãos independente de sua classe social mostrando além dos artistas o patrimônio da cidade como teatros, cinemas e museus.

Inspirada na Noite Branca de Paris, a Virada Cultural em São Paulo ocorre desde 2005, e expandiu-se para o interior. No último fim de semana presenciamos a 2ª Virada Cultural de Ribeirão Preto, que infelizmente distanciou-se de suas origens.

Primeiramente pelo nome, a virada cultural como sugerido pelo seu próprio título remete a um evento ininterrupto que por seu formato original deve durar 24 horas. O formato foi quebrado, tendo 6 horas de intervalo durante a madrugada. Uma pena, já que o topo de sua árvore genealógica tem o nome de Noite Branca, equivalente ao nosso termo “noite em claro”, pois o evento corre a madrugada. Aqui temos que dormir.

Além disso nos deparamos com alguns shows que não precisam do apoio cultural do governo, afinal já tem seu espaço na grande mídia. E assim deixando de mostrar outros shows que só temos a oportunidade de ver em ocasiões como essa. Como o de Rubinho Antunes, abrindo com chave ouro; Hurtmold, com seu experimentalismo; Farofa Carioca, com sua brasilidade; Verônica Ferriani, com sua linda voz; dentre outros.

Houve também uma falta de capacidade para o público em alguns eventos, principalmente os ocorridos no Teatro Municipal, que seus 500 lugares não abrigaram todos os que desejavam ver os show de Hurtmold, Quinteto em Branco e Preto (que eu particulamente fiquei de fora) e outros. Para se ter eventos no Teatro Municipal é necessário, no mínimo, que tenha um outro evento acontecendo simultaneamente para que o público que não conseguiu entrar não fique com mais horas ainda sem programação.

“Só pra garantir esse refrão eu vou enfiar um palavrão” disse em sua música a banda Ultraje a Rigor. É impossível ouvir esse verso e não começar a pensar a respeito da qualidade cultural do evento, a frase é absolutamente incompatível com a proposta. Se os organizadores buscavam público obtiveram sucesso, a polícia militar estimou a presença de 42.000 pessoas. Mas a busca por público não pode sobrepor a qualidade do evento. A prioridade é a cultura e não atrair a massa, a excessiva busca por público sucumbi a qualidade do evento.

A proposta de intercâmbio cultural também foi ferida. A banda Balacu apresentou-se em Araraquara, Dimi Zumquê em Franca. Infelizmente ficamos sem o intercâmbio e sem nossos artistas de Ribeirão Preto que com certeza se convidados fariam o possível para participar e divulgar o trabalho, que mesmo na cidade ainda precisam de espaço.

Claramente, há muito o que mudar para a próxima edição. Apesar, de todos as falhas, é indiscutivel a validade do evento. A idéia da proposta é brilhante, apenas precisamos nos aproximar dela. Virão outras edições, esperamos que os organizadores tenham refletido sobre o evento, e que o bom senso e a responsabilidade imperem. Caso isso aconteça, ao invés de dormir, sonharemos .E viva a 8a Feira do livro, que com a programação amplamente publicada, da um exemplo de organização mesmo antes de sua realização. Ficaremos de olho.

Rodrigo M. Biondo