quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

OMB Parte 1: Pesquisa.

Recentemente, por motivos que prefiro não descrever agora, voltei a me interessar sobre o assunto "OMB". Então para começar a me interar melhor sobre o assunto resolvi fazer uma pesquisa entre meus amigos músicos e ver qual é a percepção atual dos músicos em relação a OMB.
O que dá para observar na pesquisa é que a maioria esmagadora dos músicos não está satisfeita com a OMB, mas que a maioria (não esmagadora) acha que é necessária a regulação da profissão a fim de melhorar as condições de trabalhor, a valorização do músico, etc.
Outra coisa que me intrigou é que muita gente ainda não tem carteirinha nem liminar e grande parte desses nunca sofreu nenhum tipo de problema por isso.

Obtive nos dias 29 e 30/11, 41
respostas.
Lembrando que a pesquisa é anônima!
Eis o resultado da pesquisa:

Sobre seu cadastro profissional. Você possui:
-Carteirinha da OMB
1229%
-Liminar para não precisar da Carteirinha
410%
-Nada.
2561%
Você já teve algum problema com a OMB?

-Sim, deixei de tocar em evento por falta de carteirinha.
1229%
-Sim, o evento que toquei foi multado.
820%
-Sim, fui reprovado na prova de admissão da Ordem.
00%
-Não, sempre tive carteirinha.
820%
-Não, sempre tive liminar.
37%
-Não, não tenho nenhuma documentação e nunca tive problema.
1434%
O pesquisado pode selecionar mais de uma opção, por isso a soma das porcentagens podem dar mais que 100%.
O que você acha da OMB.
-Necessária.
512%
-Desnecessária.
1844%
-Um órgão idôneo.
12%
-Um órgão corrupto.
1844%
-Um órgão repressor.
1537%
-Cumpre sua função.
12%
-Não cumpre sua função.
3278%
O pesquisado pode selecionar mais de uma opção, por isso a soma das porcentagens podem dar mais que 100%.
Sobre o fim da OMB você é:
-A favor. Não é necessária regulação da profissão de músico.
1741%
-Contra. É necessária a regulação da profissão do músico e a Ordem está boa do jeito que é.
00%
-Contra. É necessária a regulação da profissão do músico, porém a Ordem precisa ser reestruturada.
2459%

Algumas observações feitas pelos pesquisados:

-Possuo a carteira da OMB mas faz muitos anos q não a renovo.
Concordo com a reestruturação da OMB porém com critérios que vão a favor do músico e que preservem a natureza do ofício, condenando a "picaretagem", o desprezo e o desrespeito do músico, principalmente por parte dos contratantes.

-Contribui por mais de 20 anos, e nunca tive beneficio nenhum, muito pelo contrario, fui extorquido varias vezes, para o delegado sair do meu pé, precisei fazer um dossiê. Todos os pagamentos que fiz foi em cheque, e nem um foi depositado na conta da OMB . Todos foram depositado na conta pessoal dele. Precisa falar mais alguma coisa????

-Regular uma profissão artística e criativa é absurdo.

-Não tenho tanto conhecimento sobre a OAB, nem sobre o seu atual estado, nem sobre as funções que esta entidade tem feito. Porém, sempre tive vontade de ver o músico como um profissional mais bem protegido perante as leis do país, cujos direitos e deveres se assemelhariam a outras profissões mais tradicionais. Caso eu perceba esforços para que esta realidade seja mudada, gostaria de manifestar o meu interesse para ajudar no que for preciso.

-Os musicos são muito desvalorizados no brasil, isso tem q mudar!!

-A ordem dos musicos da Bahia é alem de inoperante de pessimo atendimento!!!!!!! Ja paguei varias vezes e este ano resolvi me rebelar e procurar um advogado para me defender das arbitrariedadea deste órgão.

-Os pesos tem que ser iguais, não me importo em pagar tributos que me tragam benefícios como profissional, desde que me traga realmente.

-Até onde sei, muitos países possuem a sua ordem dos músicos e esta funciona plenamente, ex.: méxico , estados unidos, canadá, etc... e estas defendem de modo muitíssimo competente a classe dos músicos. Não acho que devamos acabar com a OMB, mas fazer uma reformulação, no seu funcionamento e principalmente no seu quadro de funcionários, tanto da OMB como do Sindicato. Nosso mercado artístico é ridículo, nossas perspectivias, nosso profissionalismo, nosso conhecimento legal enfim, não creio que o músico tenha tempo ou paciência ou mesmo competência para tratar de tudo o que envolve as questões burocráticas da profissão. Acho que um órgão competente é imprescindível para a valorização do músico, assim como acontece nos países citados acima.

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Bom, é isso que eu queria passar para vocês nesse primeiro momento, vou tentar continuar essa pesquisa ouvindo a outra parte envolvida: a OMB.

Guilherme Carvalho
Guilherme Carvalho é músico e fotógrafo nas horas vagas. Agora tenta voltar a ser blogueiro!
@GuimaCarvalho - Facebook - Flickr

segunda-feira, 1 de junho de 2009

9ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto

É com grande prazer que o Notas anuncia mais uma Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto. Com uma programação de qualidade altíssima, os organizadores dão uma verdadeira aula para "Virada Cultural Paulista" de como se fazer um evento cultural e crião uma expectativa de uma feira ainda melhor que a do ano passado.
A programação completa pode ser conferida aqui.

Resumo da programação musical:

18/06 - 19h - Vania Lucas, Mário Féres e Tita Parra
21h - Paulinho da Viola

19/06 - 10h30 - Jorge Nascimento
18h - Jorge Vercillo
21h - OSRP

20/06 - 16h - José Miguel Wisnik
18h30 - Bia Mestrinér
18h30 - Noel Costa
20h - Grupo Nós
21h - Adriana Calcanhotto

21/06 - 16h - Mulheres de Hollanda
20h - Banda RP3
21h - Paula Toller

22/06 - 20h - Dedé Cruz
21h - Oswaldo Montenegro

23/06 - 20h - Bolão Zambianchi
21h - Luiz Melodia

24/06 - 18h30 - Fernando Perereca e Teco
20h - Zé da Conceição
21h - João Bosco

25/06 - 20h - Versão Brasileira MPB
21h - Toquinho e MPB4

26/06 - 18h30 - Mariana Mestrinér
20h - Paulinho Brasília
21h - Vanessa da Mata

27/06 - 16h - Ná Ozzetti
20h - Sobrado 112
21h - Maria Rita

28/06 - 18h - Motormama
19h - Lenine

Site oficial: www.feiradolivroribeirao.com.br

sábado, 23 de maio de 2009

Samba da Vela - Virada Cultural - 16/05/09

“Acendeu a vela, o samba já vai começar...”.

Fundada no ano 2000, a comunidade Samba da Vela foi idealizada para preservar a cultura do samba, abrindo as portas para que novos compositores mostrem suas obras e para que as pessoas possam compartilhar da imortalidade do samba. E assim é. E assim foi.

Com uma apresentação descontraída, cheia de alegria e malandragem, e tendo como principais instrumentos as palmas da platéia, o Samba da Vela trouxe apenas canções surgidas na própria comunidade e desconhecidas pela maioria presente.

No entanto, isto não impediu que as pessoas se levantassem e sambassem em pleno Teatro Municipal, transformando-o em uma quadra de escola de samba.

Aliás, todos que lá estavam se perguntaram quem teve a “brilhante” idéia de apresentar o Samba da Vela no Teatro Municipal. Talvez, o mesmo “gênio” que levou o Cordel do Fogo Encantado para o Parque de Exposições, pulverizando a virada cultural em dois pólos muito distantes um do outro e tornando a virada cultural em um evento muito inferior à dimensão merecida.

Outra questão a se lamentar, foi ter presenciado o Daerp (vulgo Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto) “regando”, por cerca de dez minutos, todo o asfalto da frente do Municipal.

Enfim, por questões de higiene, não podemos misturar samba com política!

Quanto à vela, o tempo corrido não deixou que ela se apagasse com as próprias forças. O tempo corrido apagou a vela contra a vontade dela (ta virando letra de samba!). Mas a certeza de que o samba continua muito vivo supera o tempo corrido.
Stéfano de Avellar

Mais informações: http://www.sambadavela.com.br/

Fotos por Guilherme Carvalho, mais fotos em: http://www.flickr.com/photos/guilhermec/

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Virada Cultural Paulista 2009 – Ribeirão Preto

Sabe aquela impressão: “- eu já vi esse filme”. A divulgação da programação da Virada Cultural Paulista nos proporcionou tal sensação. Mais uma vez a programação não impressiona, está novamente repleta de artistas que tem espaço garantido pela mídia, e não tem necessidade de um subsidio do governo para mostrar seu trabalho. A lacuna na programação continua lá. Nitidamente não houve evolução. Enfim, se pensarmos bem, não trata-se de um Deja Vu, acontece é que realmente já vimos essa cena, basta lermos o artigo publicado aqui no Notas sobre a edição anterior e notar que veremos mais do mesmo.

Porém nem tudo está perdido, há algumas apresentações que valem a pena serem conferidas, como o Tributo à Dalva de Oliveira, Samba da Vela, Cordel do Fogo Encantado, entre outras, dependendo do seu gosto. A programação completa poder ser conferida aqui. Então vamos aproveitar as partes boas da programação e tentaremos relatar aqui com pequenos posts.

Guilherme Carvalho

Marina De La Riva - São Carlos - 06/05/09


Ocorreu no SESC São Carlos na última quarta-feira (06/05) o show da cantora Marina de la Riva, promovido pelo interessante Projeto Contribuinte da Cultura (FAI-UFSCar) em comemoração aos seus 10 anos, o projeto é responsável por grande parte dos eventos culturais ocorridos na cidade.

Marina de la Riva apesar de brasileira considera-se “meio brasileira e meio cubana”. De pai cubano, refugiado do regime ditatorial na época em ascensão de Fidel Castro, e mãe brasileira, Marina sofreu influência direta dessas riquezas culturais. Seu pai Fernando tocava violão, e colocou Marina em contato com a tradição musical da ilha caribenha. Sua mãe tocava piano, ouvia-se em casa boleros e sambas-canções, ópera e bossa-nova. Apesar de tudo, a decisão pela música veio um pouco mais tarde, De la Riva chegou até a se formar em direito. Em 2004, viajou até Cuba para gravar seu disco de estréia. Era a primeira vez que a cantora visitava a terra de seu pai e de seu avô. Gravou um repertório de clássicos cubanos, acompanhada por músicos locais. De volta ao Brasil, Marina gravou sambas e marchas do início do século passado. O cd saiu em 2007 e foi muito bem aceito pelo crítica.

Começa o show. Central Constancia. A iluminação contornava os gestos e a presença desta cantora tão verdadeira, feminina e natural. Um sonho. A realidade só veio ao cair um cowbell que escorregou de sua mão, poucos segundos de Terra num show que foi só Céu. Exagero? O Teatro estava lotado, todos cantaram e se emocionaram com a presença de palco, a voz e a interpretação da cantora. Intimista, o show foi tecido pelo primeiro cd inteiro e algumas músicas além. De Dona Ivone Lara (“Sonho Meu”) e Maysa (“Meu Mundo Caiu”) até Ernesto Lecuona (“Mariposa”) e Chano Pozo (“Tin Tin deo”). Marina fez a platéia sentir uma proximidade entre Rio de Janeiro e Cuba, era como se avistássemos do Rio as ilhas Cubanas. Uma fronteira musicalmente possível.

A banda, que correspondeu a altura, foi composta por: Fábio Sá(baixo), Jorge Ceruto(trompete), Felipe Maia(Teclados e Acordeon), Pedro Bandera(percussão), Ricardo Valverde(Percussão) e Daniel Oliva (guitarra).

"O artista é nulo se não tem o coração em contraponto." Só frases assim poderiam entremear músicas tão belas e delicadas, e assim De la Riva fazia, mesmo que no improviso. Quem assistiu, se inteiro, as carregou como marca indelével em si mesmo. Recomendo a todos que escutem o cd, e se ao alcance, corram ao show. Cuba é logo ali, do lado do Rio.

Rodrigo M. Biondo

sábado, 14 de junho de 2008

Fernanda Takai - 8ª Feira Nacional do Livro de RP

Já na primeira frase estou lutando para manter o foco, mas logo revido, como manter o foco sem saber nada sobre lentes?

Não se assuste, estou falando sim sobre a apresentação de Fernanda Takai na 8ª feira nacional do livro de Ribeirão Preto, pra quem ainda não sabe ela está em turnê com o seu novo trabalho Onde Brilhem Os Olhos Seus juntamente com a banda composta por John Ulhoa (guitarra), Lulu Camargo (teclado), Thiago Braga (baixo) e Mariá Portugal (bateria), interpretando musicas de Nara Leão. Mas, retomando, não posso simplesmente começar sem antes falar um pouco de Pato Fu e de Bossa Nova, então vamos lá.

A Intérprete

Fernanda Takai, integrante da banda mineira Pato Fu, é conhecida por possuir um timbre de voz muito específico e peculiar, do tipo ame ou odeie, e por isso também responsável por uma das características mais legais da banda a de gostar de experimentar e misturar. O Pato Fu começou como um trio composto por guitarra, baixo e voz, e as músicas eram tocadas em cima de playback programado por John Ulhoa. Hoje, com a adição do baterista Xande Tamietti e do tecladista Lulu Camargo, isso se reflete em uma experiência muito grande em programação musical conferindo muito bom gosto ao adicionar tais elementos (meio exagerado, mas já ouvi a frase: O Pato Fu é o Massive Attack brasileiro).

A Interpretada

Uma das cantoras mais virtuosas do Brasil, ficou conhecida como a eterna musa da Bossa Nova e por possuir bons, muito bons, amigos. Gravou músicas dos até então pouco conhecidos Chico Buarque, Martinho da Vila, Edu Lobo, Paulinho da Viola e Fagner, entre outros.

Considerações Técnicas

Quando falo técnicas, quero dizer sobre a infra-estrutura do palco, do som e coisas afins e não sobre as técnicas dos músicos. Estou dedicando um parágrafo inteiro sobre isso pois vou generalizar para todas as apresentações que pude comparecer e por ser uma área que gosto muito e atuo. Não sei o quanto foi imposto pelo alvará liberado pela prefeitura de Ribeirão Preto, mas em todas as ocasiões o som estava muito baixo e opaco, o volume estava baixo pra quem estava perto e incompreensível pra que estava longe (adiciono que em todos os casos a explanada estava completamente cheia e em alguns caso cheia demais), quanto ao opaco... Deixa pra lá. Vou culpar a falta de passagem de som.

Considerações Artísticas

Agora vou, finalmente, poder usar as informações que passei anteriormente. Com extremo bom gosto e simplicidade, as músicas antes interpretadas pela homenageada (também pelos 50 anos de Bossa Nova) ganharam uma roupa moderna e rebuscada sem perder as suas características originais. Sempre em cima de pré-programações, os arranjos não inibem a liberdade de expressão individual dos músicos que, sempre super-valorizando a voz de Fernada Takai, criaram um clima, acreditem, bossa-moderno-nova que agradou quem gosta da bossa original e ao mesmo tempo a grande quantidade de fans do Pato Fu ali presentes. Ninguém melhor para tentar algo assim do que os envolvidos no projeto.

Considerações Finais

Pra quem ainda não conhecia o Onde Brilhem Os Olhos Seus, ficou com vontade de conhecer. Uma linda apresentação com uma produção visual bem elaborada e um repertório que incluiu todas as músicas do cd e mais outras, como "Ordinary World" de Duran Duran.


Fui!

Breno Vettorassi

Fotos por Guilherme Carvalho
Mais fotos em: http://picasaweb.google.com.br/guilhermec/
http://www.flickr.com/photos/guilhermec/

quinta-feira, 5 de junho de 2008

João Bosco - SESC São Carlos - 22/05

João Bosco em São Carlos. Nosso Trio em São Carlos. Agora junte os dois: mais uma obra prima do SESC – São Carlos. Parabéns! O show foi excepcional, ímpar.

Tocando músicas repletas de um toque característico, acompanhado por Kiko Freitas na bateria, Nelson Faria na guitarra e Ney Conceição no baixo, o mineiro de Ponte Nova reflete suas influências de jazz, bossa nova, samba, tropicalismo entre outros, em um repertório composto por composições de parcerias com Capinam(“Papel Machê”), Abel Silva(“Desenho de Giz”), Aldir Blanc(“Escadas da Penha”, “O Bêbado e o Equilibrista”), fora músicas como “Corsário”, “Jade”, “Linha de Passe”, “Coisa Feita” etc. Só coisa fina, diriam os fãs de Moacir Santos. E vale lembrar, nem precisava, mas João Bosco ainda nos presenteou com Tom Jobim(“Lígia” e “Inútil Paisagem”) e Gilberto Gil(“A Paz”).

O engenheiro João Bosco de Freitas Mucci ganhou seu primeiro violão aos 12 anos e montou seu primeiro conjunto de ROCK'N ROLL, o “X_GARE”. Em 1967 a universidade de Vila Rica das Minas - Outro Preto - ganhou-o como aluno do curso de Engenharia Civil. “Passei pela terra de Aleijadinho e meu coração que até então era vadio, ficou barroco. Subi e desci ladeiras. Descobri que na vida existem mais teoremas. Supor é melhor que demonstrar e na dúvida mora a vontade de continuar.” - João Bosco; o ano de sessenta e sete também foi marcado pelo início da parceria com o “poetinha” - Vinícius de Moraes, e em 1970 é a vez de Aldir Blanc. No ano de 1972, além de receber o diploma de Engenheiro Civil, sai o Disco de Bolso, projeto de O Pasquim – ao lado do compositor Sérgio Ricardo, e conheceu também Elis Regina – NOSSA!! - com quem gravou “Bala com Bala” (Bosco/Blanc).

A genialidade do compositor foge às coisas simplistas de teorias, essas ensinadas em centros de educação musical, universidades, conservatórios. Como vínculo à terra, à natureza particular pontenovense, também cultiva em sua música, e faz questão disso, suas experiências de vida. Experiências que passam por sua história de amores, bares e amigos, momentos íntimos com o violão e, com muita força, a face dos terreiros de Candomblé.

João Bosco, por João, por músico(compositor, intérprete), por intelecto, por caricato, se tornou um ás brasileiro. De acordo com Tom Jobim:”Esse mineirinho é bom demais. Tira ele do meu lado”, logo após lançamento do disquinho, cujo lado A era agraciado com tal opinião do maestro brasileiro e o lado B com “Aguas de Março”.

Zuza Homem de Mello cita, com excelência, “O batuque que levava o ouvinte de roldão, já vinha matando na cabeça, começava e acabava atropelando, num jogo rítmico de deslocamentos...seria a base de outra linha da ação na obra do mineiro de olhar perscutador que arrebentava tocando violão. A destreza lhe permitia chegar aonde queria quando partia para esse tipo de composição, o samba rasgado, do tipo desenhado em Tiroteio, que acabou sendo lavrado com o título de Bala com Bala”.

Um ideal dessa magnitude não enferrujará com o tempo. Suas unhas não só tocaram as cordas cristais de violões mas arranharam a nossa cultura de forma tão profunda que foge aos domínios midiáticos, multiplicando por si só, por beleza, por mérito e admiração de tantos outros grandes brasileiros.


“O amor é meu dia de folga. Meu melhor trabalho é a minha família, minha alegria é Rubro-Negra. Quem sabe de mim é o meu violão. Nesse fim de semana, seu não for pra Belô, a gente se cruza no calçadão.” - João Bosco de Freitas Mucci

João H. DOIS