Tocando músicas repletas de um toque característico, acompanhado por Kiko Freitas na bateria, Nelson Faria na guitarra e Ney Conceição no baixo, o mineiro de Ponte Nova reflete suas influências de jazz, bossa nova, samba, tropicalismo entre outros, em um repertório composto por composições de parcerias com Capinam(“Papel Machê”), Abel Silva(“Desenho de Giz”), Aldir Blanc(“Escadas da Penha”, “O Bêbado e o Equilibrista”), fora músicas como “Corsário”, “Jade”, “Linha de Passe”, “Coisa Feita” etc. Só coisa fina, diriam os fãs de Moacir Santos. E vale lembrar, nem precisava, mas João Bosco ainda nos presenteou com Tom Jobim(“Lígia” e “Inútil Paisagem”) e Gilberto Gil(“A Paz”).
O engenheiro João Bosco de Freitas Mucci ganhou seu primeiro violão aos 12 anos e montou seu primeiro conjunto de ROCK'N ROLL, o “X_GARE”. Em 1967 a universidade de Vila Rica das Minas - Outro Preto - ganhou-o como aluno do curso de Engenharia Civil. “Passei pela terra de Aleijadinho e meu coração que até então era vadio, ficou barroco. Subi e desci ladeiras. Descobri que na vida existem mais teoremas. Supor é melhor que demonstrar e na dúvida mora a vontade de continuar.” - João Bosco; o ano de sessenta e sete também foi marcado pelo início da parceria com o “poetinha” - Vinícius de Moraes, e em 1970 é a vez de Aldir Blanc. No ano de 1972, além de receber o diploma de Engenheiro Civil, sai o Disco de Bolso, projeto de O Pasquim – ao lado do compositor Sérgio Ricardo, e conheceu também Elis Regina – NOSSA!! - com quem gravou “Bala com Bala” (Bosco/Blanc).
A genialidade do compositor foge às coisas simplistas de teorias, essas ensinadas em centros de educação musical, universidades, conservatórios. Como vínculo à terra, à natureza particular pontenovense, também cultiva em sua música, e faz questão disso, suas experiências de vida. Experiências que passam por sua história de amores, bares e amigos, momentos íntimos com o violão e, com muita força, a face dos terreiros de Candomblé.
João Bosco, por João, por músico(compositor, intérprete), por intelecto, por caricato, se tornou um ás brasileiro. De acordo com Tom Jobim:”Esse mineirinho é bom demais. Tira ele do meu lado”, logo após lançamento do disquinho, cujo lado A era agraciado com tal opinião do maestro brasileiro e o lado B com “Aguas de Março”.
Zuza Homem de Mello cita, com excelência, “O batuque que levava o ouvinte de roldão, já vinha matando na cabeça, começava e acabava atropelando, num jogo rítmico de deslocamentos...seria a base de outra linha da ação na obra do mineiro de olhar perscutador que arrebentava tocando violão. A destreza lhe permitia chegar aonde queria quando partia para esse tipo de composição, o samba rasgado, do tipo desenhado em Tiroteio, que acabou sendo lavrado com o título de Bala com Bala”.
Um ideal dessa magnitude não enferrujará com o tempo. Suas unhas não só tocaram as cordas cristais de violões mas arranharam a nossa cultura de forma tão profunda que foge aos domínios midiáticos, multiplicando por si só, por beleza, por mérito e admiração de tantos outros grandes brasileiros.
“O amor é meu dia de folga. Meu melhor trabalho é a minha família, minha alegria é Rubro-Negra. Quem sabe de mim é o meu violão. Nesse fim de semana, seu não for pra Belô, a gente se cruza no calçadão.” - João Bosco de Freitas Mucci
João H. DOIS
Um comentário:
João, com quantos anos você ganhou seu primeiro violão? Se foi com 12 e, se você concluir a faculdade de Engenharia, por silogismo (até com o nome) será "um" João Bosco hehehe.
Muito bom o artigo. Pena não ter visto o show.
Beijos.
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