Ocorre todo ano em Paris a “Nuit Blanche” (Noite Branca). O evento pauta levar cultura de qualidade à população gratuitamente. A idéia é trazer enriquecimento cultural aos cidadãos independente de sua classe social mostrando além dos artistas o patrimônio da cidade como teatros, cinemas e museus.Inspirada na Noite Branca de Paris, a Virada Cultural em São Paulo ocorre desde 2005, e expandiu-se para o interior. No último fim de semana presenciamos a 2ª Virada Cultural de Ribeirão Preto, que infelizmente distanciou-se de suas origens.
Primeiramente pelo nome, a virada cultural como sugerido pelo seu próprio título remete a um evento ininterrupto que por seu formato original deve durar 24 horas. O formato foi quebrado, tendo 6 horas de intervalo durante a madrugada. Uma pena, já que o topo de sua árvore genealógica tem o nome de Noite Branca, equivalente ao nosso termo “noite em claro”, pois o evento corre a madrugada. Aqui temos que dormir.
Além disso nos deparamos com alguns shows que não precisam do apoio cultural do governo, afinal já tem seu espaço na grande mídia. E assim deixando de mostrar outros shows que só temos a oportunidade de ver em ocasiões como essa. Como o de Rubinho Antunes, abrindo com chave ouro; Hurtmold, com seu experimentalismo; Farofa Carioca, com sua brasilidade; Verônica Ferriani, com sua linda voz; dentre outros.
Houve também uma falta de capacidade para o público em alguns eventos, principalmente os ocorridos no Teatro Municipal, que seus 500 lugares não abrigaram todos os que desejavam ver os show de Hurtmold, Quinteto em Branco e Preto (que eu particulamente fiquei de fora) e outros. Para se ter eventos no Teatro Municipal é necessário, no mínimo, que tenha um outro evento acontecendo simultaneamente para que o público que não conseguiu entrar não fique com mais horas ainda sem programação.
“Só pra garantir esse refrão eu vou enfiar um palavrão” disse em sua música a banda Ultraje a Rigor. É impossível ouvir esse verso e não começar a pensar a respeito da qualidade cultural do evento, a frase é absolutamente incompatível com a proposta. Se os organizadores buscavam público obtiveram sucesso, a polícia militar estimou a presença de 42.000 pessoas. Mas a busca por público não pode sobrepor a qualidade do evento. A prioridade é a cultura e não atrair a massa, a excessiva busca por público sucumbi a qualidade do evento.
A proposta de intercâmbio cultural também foi ferida. A banda Balacu apresentou-se em Araraquara, Dimi Zumquê em Franca. Infelizmente ficamos sem o intercâmbio e sem nossos artistas de Ribeirão Preto que com certeza se convidados fariam o possível para participar e divulgar o trabalho, que mesmo na cidade ainda precisam de espaço.
Claramente, há muito o que mudar para a próxima edição. Apesar, de todos as falhas, é indiscutivel a validade do evento. A idéia da proposta é brilhante, apenas precisamos nos aproximar dela. Virão outras edições, esperamos que os organizadores tenham refletido sobre o evento, e que o bom senso e a responsabilidade imperem. Caso isso aconteça, ao invés de dormir, sonharemos .E viva a 8a Feira do livro, que com a programação amplamente publicada, da um exemplo de organização mesmo antes de sua realização. Ficaremos de olho.
Rodrigo M. Biondo
2 comentários:
Muito bom o artigo. A Feira do Livro tem sido um exemplo a ser seguido.
Abraço
Celso Nobre
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